Ilegalidades, Shangai e Flask and The Press

Em Valência, Março é o mês das Fallas! A Grande Festa da cidade, qual Carnaval no Rio de Janeiro, onde cada comunidade Fallera trabalha todo o ano para apresentar as suas esculturas, montar as suas tendas em todas as praças, onde se criam plenas discotecas de rua e o lema é dançar e divertir-se…até as 4 da manhã. E depois fecha tudo!
Ora, numa dessas noites de festa, acabadas as celebrações, uma amiga queria desesperadamente um último Gin Tonico antes de ir para casa. E por sorte encontramos um bar que ainda tinha as portas abertas. E o porteiro muito simpaticamente deixou-nos entrar, momentos antes de fechar todos os acessos para o exterior…
…em segundos, encontrámonos fechados num bar muito divertido com karaoke…com uma estranha decoração de veludo vermelho-escuro, sofás em capitone em couro avermelhado, com o teto todo revestido a espelho, uma pequena zona elevada, como se fosse um mini palco também em veludo, e uma misteriosa escada de onde, de tempos a tempos, subia ou descia alguém…muito discretamente…
Não foi preciso muito para perceber que nos tínhamos adentrado num submundo clandestino e fora de horas!
Como, felizmente, o nosso grupo era grande – e queremos acreditar que os rapazes nos defenderiam no caso de alguma abordagem mais fora de tom – a descoberta tornou-se motivo de diversão, competindo alegremente, no karaoke, com a prata da casa.
E lembrei-me daquele episódio quando, ao conhecer este projeto, li a descrição dos arquitetos acerca da sua abordagem para a criação de um bar clandestino na China.
A abordagem a este espaço foi original e teve a intenção de criar dois ambientes tão antagónicos entre si que, inevitavelmente, criam surpresa ante a transição inesperada: o que, aparentemente, é uma simpática e colorida loja de sandwishes transforma-se, através de uma “passagem secreta” – e algo chamativa neste caso – , num intimista e privado bar onde o álcool abunda! Eu gosto de imaginar estes espaços como sombrios refúgios de empresários, algo gordos, com o seu fato completo de colete, a fumar o seu charuto, com o copo de whiskie na mão, a cogitar a próxima manobra ilícita, negociando mais-valias com os seus pares. Daqueles sítios onde o barman tem um compromisso de confidencialidade e conhecimento valioso em posse, qual cúmplice privilegiado que conhece em que mão se encontra cada carta do baralho…
Ou talvez seja apenas um sítio para beber algo descansado, sem mais!
Adiante! Neste exemplo, de forma bastante evidente, a iluminação assume um papel primordial na atmosfera pretendida:
No espaço “legal” a iluminação é feita com leds RGB, criando uma atmosfera dinâmica, cuja transição de cores desperta a atenção (devido á capacidade de adaptação, o olho humano reage a estímulos como variações de contraste e velocidade da luz).
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Já no espaço “ilegal” nem por coincidência a solução se assemelha: luz indireta, de baixa intensidade, luz branca de baixa temperatura de cor com as peças escultóricas no teto a servir de refletor tom cobre a dourar ainda mais os tons quentes da mesma.
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O objetivo, segundo os arquitetos do espaço, era criar um efeito surpresa através dos espaços contrastantes.
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Era um bom cenário para um filme de ação!

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2 comments on “Ilegalidades, Shangai e Flask and The Press

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