Medo e Mudança (menos design e mais desvario desta vez)

Hoje li uma frase que dizia mais ou menos isto:
se não te decides por nada, esse ato em si já é uma decisão.
A verdade é que não sou pessoa de tomar decisões de ânimo leve. Causa-me um certo desconforto, ou vertigem, ou…para usar a palavra mais correta: medo. Não é por isso que deixo de abraçar a mudança, é necessária, faz parte da evolução e tem sido, quase sempre, benéfica. Mas…como sabemos que a decisão é correta? Como sabemos que é aquela voz interior, a intuição, que está a falar, ou se por outro lado a voz é a outra, chamada ilusão?
Até há quatro anos atrás, e apesar de já reagir a mudanças com algum desconforto, os passos que dava eram sempre apoiados pela confiança. Por aquele sentimento de saber, porque o coração dizia que sim, que aquele era o melhor caminho. Ou, como sempre dizem os meus pais, desafiando destemidamente o tal Murphie:
o melhor que pode acontecer, acontecerá!
No entanto, já tomei decisões das quais me arrependi. Já troquei o certo pelo incerto, num golpe de fé que me deixou sem chão. Já segui os rumos que o meu coração ditava para perceber mais tarde que não há volta atrás…e para perceber que eu queria voltar atrás…talvez… E digo talvez porque, se ainda hoje me tivesse mantido nessa mesma segurança, provavelmente estaria a perguntar a mim mesma: e se tivesse arriscado?
Eu sempre tive claro que não quero lamentar o não ter tentado, não ter experimentado…o e se me tivesse lançado? Se tivesse ido/dito/feito? Teria conseguido? não vai comigo! A vida, tal como diziam os meus amigos de Biodança, “é para ser mordida, experimentada e aproveitada ao máximo, com liberdade, com expressão, com movimento…não há caminhos errados, há caminhos vividos!”. Mas quando já arriscamos, caímos e perdemos…ou, dito de outra forma (já que não sabemos se realmente perdemos ou não): quando arriscamos, caímos e temos de percorrer um lento processo de recuperação, o medo a cair de novo ganha voz. A alegria ingénua não volta a ser a mesma e a segurança do conhecido começa a ser mais acarinhada…ainda quando há muito por que arriscar…
E a verdade, é que ás vezes me apetece acreditar que o que passou foi o melhor que poderia ter passado e voltar a lançar-me…afinal…a dor da queda já é algo conhecida…muito pior não deve ser…e, boas ou más decisões, se as tomarmos, sabemos que quem manda na nossa vida somos nós: é mais fácil aceitar as consequências.
Ainda me lembro daquela tarde com um amigo espanhol, em frente a um Martini Bianco e uma qualquer tapa (já não me recordo qual), quando, falando precisamente deste tema ele me disse, no seu castelhano:

Helena, desm(elena)-te!

e me escreveu este poema:
 

Si te caes en pleno vuelo,

luego tendrás miedo a volar.

Preferirás la seguridad del suelo

pero no podrás tocar

la libertad del cielo.
E depois de tudo isto, no fundo, o que geralmente acontece é que me lanço…e só me arrependo de não o ter feito antes!
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